
Há dias e noites!
Noites brancas diferentes das de Dostoiévski.
Noites negras das bem diferenciadas do Navio Negreiro.
Há noites em que algo acontece. Tudo, tudo pode acontecer de um dia para noite.
Noites Brancas!
Noites Negras!
Sem superstições ... a noite, é sempre noite e obviamente sempre escura.
No escuro da noite, após um dia cansado é que as coisas começam a não fazer sentido.
Cansa-se um tanto que vale a pena ficar à frente da TV e degustar uma "novela caramelada"
Cansa-se tanto que valeria a pena comer fast food toda noite e não lavar louça e não fazer nada.
Mas, o nada também pode cansar e paradoxalmente deve ser triste ter cansaço do nada.
Cansaço vazio.
Na escuridão da noite lá está, no quarto, na sala, na varanda, a rastejar pela casa. Tenta fugir de tudo, não atende telefone, não atende a campainha, seu corpo parece estar pesado e sua cabeça parece querer explodir a qualquer minuto. O bicho na cama a se atordoar com as ideias, ideias um tanto monstruosas...a esse bicho!!!
Na manhã acorda e vai de novo... vai de novo e a casca do bicho já não é tão grossa, parece ser mais leve e mais calma.
Apesar de hora ou outra subir o sangue quente e querer moder..picar...ferir..ferroar...
Mas se controla um pouco!
Controla-se um pouco, por que já o dia finda!
Finda também a leveza e lá na noite, no quarto, na sala, na cozinha, na varanda é que poderá rastejar tranquilamente e se ferir tão cruelmente e esperar a morte do bicho.
já que ...todos...todos hão de ir!
Mas, por enquanto de rastejo em rastejo lá está ele a se isolar cada vez mais e a sentir apenas o cair do sol e o deprimir da noite e não há o que fazer...
O bicho é assim:Sempre bicho...e indomável!
Assim como na "Metamorfose" de Kafka.