quinta-feira, 21 de janeiro de 2010



Ali sentada .
Sentada na chuva.
Como se precisasse realmente lavar a alma.
A roupa molhada e transparente, por um instante mostrava-lhe o seio.
Mas as marcar sensuais a levavam a pensar até que ponto, a beleza, a sensualidade, e todo o estereótipo pré definido de mulher bela importava?
Ali naquele momento não importava e nem significava nada. Ser bela perto da chuva?
Não!
A beleza da chuva era inquestionável. Ela imperava. Caia, como se enfurecida e raivosa, quisesse dizer algo, mas, o quê?
O que tanta água poderia dizer?
Ela não encontrava respostas.
Mas, encontrava uma paz.
Dançou na chuva e é como se todos os seus pensamentos fizessem parte dessa tal coreografia. Seu corpo estava no auge do todo e ininterrupto silêncio.
O único é válido barulho...era...o pin...pin...pin..dos muitos pingos que caiam.
Há de ser assim,
Quando se chove,
Quando se chove dentro da gente é que a tristeza impera e reina?
Mas, chover lá fora e fazer parte dessa beleza
é sorrir dentro de nós.
Chove. Lá fora uma chuva tempestuosa e intempestiva.
"Chove...chove sem parar"...talvez seja o momento de dançarmos todos no compasso dessa dança.
e entendermos a melodia desse...pin...pin...pin!

4 comentários:

entremares disse...

Em tempos idos, conseguia escutar a chuva. Esse pin pin pin de que falas, em câmara lenta, salpicando o rosto e fazendo a pele tremer.
Lembro-me bem disso, tal como me lembro de sorrir à chuva.

Depois... existe sempre um depois. Existe um tempo, como as estações do ano, em que deixamos de ouvir a chuva, sentimos simplesmente o corpo encharcado, esquecemos a poesia da água, sentimos só o desconforto e o frio.

Não sei que estação é esta, que me impede de ouvir esse delicioso pin pin pin. Mas acredito que todas as estações têm um principio ... e um fim.

E sim, quero voltar a ouvir de novo a chuva.

Tudo de bom para ti.
Rolando

Marinês disse...

Que lindo Rolando... é isso mesmo...há tempos e tempos...e em alguns deles ...perdemos a conexão com coisas tão simples, mas, belas..

abraço

betucury disse...

Há beleza.
No dia que a tristeza for perdendo a sua nobreza, o abraço vai ter mais espaço, pode ter certeza.
A chuva abraça e, nem eu, nem você, temos medo da chuva, porque nem todas as tempestades, fazem as janelas abertas, despencarem de seus suportes.
Pim pim pim
Um beijo

Marinês disse...

Obrigada Betu pela
"A chuva abraça e, nem eu, nem você, temos medo da chuva, porque nem todas as tempestades, fazem as janelas abertas, despencarem de seus suportes."

e enquanto elas não despencam a gente vai sobrevivendo a nobreza da tristeza e a ausência dos abraços, nem por isso perdendo o encantamento pela vida .

bju